Quase um bom rapaz

Decisões e Escolhas - II (ou talvez outra forma de se dizer o mesmo)

Enviado em Literatura, Texto by Adriano Azevedo em Março 2nd, 2008

Merda, puta sentimento de vazio do caralho, mais uma vez troquei os pés pelas mãos agindo errado pensando que estaria certo, abri mão de 3 certezas por 1 talvez, quis fazer o certo sendo fiel a um dos caminhos e não atrapalhando as pessoas de trilharem os outros e para onde o caminho do talvez me levou? Para o abismo, o escroto do mesmo vazio, onde é frio e escuro e eu vivi nele por toda a minha vida e onde acho que estou amaldiçoado a tê-lo e estar nele para sempre, sem chance de escapatória.

Muitos falam que temos que agir correto, ser fiel aos nossos objetivos, pagar o preço que for preciso para alcançá-lo e idealizar como se já fosse verdade. Sabe o que isso é?

Merda, todo tipo de merda marrom, preta e com rastros de sangue de quem vive no mundo da lua achando que vai mudar a sua vida comprando o livro, filme e DVD do “Segredo” segredo de merda para quem vive esta vida doce.

A questão é que a realidade é cruel além da concepção humana, indo a níveis que só existem nos pesadelos dos suicidas que cedo ou tarde no ápice do desespero atinge eu ou você também, neste mundo de tolos, a única certeza que você tem é que você vai quebrar sua cara e vai sofrer, tanto por ter tentado ou por não ter a coragem de tentar.

Me diga, de que porra vale o cara agir correto? Tomar na cara mais fácil e mais vezes, para com a boca cheia de dentes amarelos, esboçar um sorriso falso e dizer cheio de falsa modéstia e “sem pecado”:

Eu tentei?

Decisões e escolhas - I

Enviado em Literatura, Rotina, Texto by Adriano Azevedo em Fevereiro 28th, 2008

Sentado no sofá fico escutando a chuva cair lá fora, para uma cidade nordestina, a chuva está forte demais, diria quase torrencial, perdido neste caos molhado que é a mp3 tocando no notebook, a chuva caindo, o café esfriando e a solidão crua que me oprime, tento entender o que nos leva a tomar decisões na vida, parece que é uma coisa simples, quase binária, 1 para aberto, 0 para fechado ou 1 para ok, 0 para não ok e 1 para sim e 0 para não, com algum agravante ou atenuante que faça você tomar a decisão, seja com o coração ou a cabeça, e ir sofrer as conseqüências do ato que foi tomado.

Passei a vida fazendo apenas o que ia acontecendo, deixando ela me levar para onde bem quisesse, porém no momento em que eu poderia me julgar mais maduro com meus quase 30 anos, todas as decisões que tomei neste ano foram erradas, porém me pareciam ser as certas, meu superego clamava por soluções politicamente corretas ou socialmente aceitáveis, pois supostamente eram assim que tinham que ser.

Todos os valores que usei para contabilizar as decisões eram os corretos, os éticos, os que “um homem de caráter e moral” deve escolher e sabe o que toda esta infinita rigidez e retitude me deram? NADA.

Tudo que eu podia optar se destruiu por si só, porém enquanto não havia tomado decisão alguma e estava simplesmente indo, seja da forma correta ou não, tudo ainda existia lado a lado, sejam as várias pequenas pendências a serem resolvidas, como problemas antigos com amigos, se iria continuar nesta faculdade ou em outra, ou até com as mulheres que eu me relacionava, enganando umas, sendo claro com outras, ou apenas deixando-as em “banho maria” para ver o que eu realmente queria com elas e com a minha vida.

Porém acho que esta vida certinha de decisões não dá para mim, o jeito é deixar tudo subentendido e sem definições, para que se possa ir seguindo de acordo com o balanço do mar, que vacilando leva a gente para algum lugar no nosso barco que sempre afunda, que é a vida.

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Surpresas

Enviado em Literatura by Adriano Azevedo em Fevereiro 28th, 2008

A vida realmente é cheia delas. Um dia apenas havia o vácuo e a solidão do seu cubículo lotado de papéis no trabalho, intercalada com a do seu quarto/sala, cozinha e banheiro, financiado pelo banco, onde habitavam apenas ele e suas plantas mortas, esturricadas pelo sentimento que é melhor ficar na cama dormindo e fugindo do inexorável tempo do que ir cuidar da casa e dos afazeres mundanos que não o agradavam e que para ele nada serviam.

Mas por algum capricho caótico do destino, outro dia, houveram diversos eventos inusitados:

O porteiro que sempre estava fazendo algo mais importante do que falar com ele, o deu um caloroso bom dia, a moça que vende jornal na esquina perguntou se ele queria comprar um exemplar, sem falar que no caminho do trabalho, o taxista esperou ele atravessar a faixa de pedestre, mas o que mais o espantou, foi quando Ela, aquela loira da barraca de flores vizinha ao local que ele tomava café com leite e pãozinho de queijo nos últimos sete anos e que durante todo este tempo ele nutria um amor silencioso o fitou demoradamente, esboçando em sua face juvenil (sim, ela era um pouco mais jovem que ele) simpatia e interesse.

Como se não bastasse, ao chegar no escritório, viu que seu nome estava na placa de”funcionário do mês”, impossível, pois neste mês, trabalhou pouquíssimo e enrolou mais do que qualquer outro, sentando-se à mesa, viu uma carta comunicando a sua seleção para um concurso interno para um cargo mais elevado.

Estranhando tudo isto, e sem saber como reagir a estas mudanças, ele sem titubear, se atirou do 13º andar, caindo em cima da barraca de flores, se matando e matando a loira, que com as mãos trêmulas assinava uma carta para confessar o seu amor a ele,então mais nada havia…

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Presença

Enviado em Literatura by Adriano Azevedo em Fevereiro 28th, 2008
Caralho, o maldito tempo passa e esta lembrança sua que não sai de mim.

Muita coisa mudou, tudo mudou na verdade, porém a única coisa que segue imutável em mim é você, com sua quase real presença.

Tenho medo de lhe encarar, porém a cada instante que passa parece que você com seus cabelos vermelhos e vestidos esvoaçantes vai dobrar a esquina e tomar um café aqui comigo.

Nem na introspecção que momentos onde existem apenas o homem, seu café amargo e o velho cigarro de menta demandam, eu consigo ficar sozinho, pois você ainda que viva me assombra.

São por momentos como este e outros que eu acho que ainda lhe amo e lhe amaldiçôo ao mesmo tempo.

Chega. Não vou mais pensar…

Mais um café por favor, sem açúcar.

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Mínimas - I *

Enviado em Literatura by Adriano Azevedo em Fevereiro 28th, 2008

Mínimas - I

Eu não esqueço um rosto nunca. Quanto mais um daqueles.
Porém ao olhar para aquele rosto me veio a grande dúvida:
De onde será  que eu conheço aquela boca?

* baseado em fatos reais. 

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Blattaria e Blattario, uma história cosmopolita de amor.

Enviado em Biologia, Literatura by Adriano Azevedo em Fevereiro 28th, 2008
No interior daquela caixa de cultura situada no Departamento de Entomologia da Universidade Federal de Sergipe, um grito irrompia o seio obscuro da noite:

- Eu quero introduzir meu espermatóforo em vc!

Uma ordem visceral quase rude, provinda da energia do enebriante êxtase de duas baratas num momento de amor.

- Sim querido, minha espermateca está pulsante e pronta para receber de você o legado que somado ao meu perpetuará a nossa espécie! Por favor, introduza agora pois já não resisto a estes momentos sublimes de antenação!

- Blattaria, a glândula que tenho sob a asa não mais me pertence, pois agora é só sua, jamais deixarei outra provar do líquido que emana do meu coração através dela, como forma de demonstrar meu amor!

Ouvindo isto a fêmea Blattaria se lançou em cima dele e enquanto Sorvia o néctar da vida ávidamente quase se engasgando dizia:

Oh, querido Blattario, suas juras de amor soam aos meus ouvidos como se estivessem a 60 decibéis, me senti como nossas primas Nauphoeta cinerea que podem gritar com esta intensidade o êxtase do amor verdadeiro!

Neste momento único, tudo que havia em volta deles parecia que havia sumido, não mais existia caixas de ovo roídas por outros que ali habitavam, nem o pão velho ou a ração de gato ali colocada pelos seres que delas cuidavam, existia apenas o momento único da conexão de suas genitálias.

- Minha fêmea lotada de feromônios, disse Blattario assumindo a posição de 180º abaixo dela, não sei se nossos filhos vão nascer por Oviparidade, Ovovivipariedade ou Viviparidade, mas o que importa é que nesta comunidade paurometabólica, eles serão felizes!

Sim meu querido, eles serão! Pois somente no seio desta sociedade onde todos vivemos igualmente e juntos, o verdadeiro amor e o istinto de propagação floresce com toda a plenitude…

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