A vida realmente é cheia delas. Um dia apenas havia o vácuo e a solidão do seu cubículo lotado de papéis no trabalho, intercalada com a do seu quarto/sala, cozinha e banheiro, financiado pelo banco, onde habitavam apenas ele e suas plantas mortas, esturricadas pelo sentimento que é melhor ficar na cama dormindo e fugindo do inexorável tempo do que ir cuidar da casa e dos afazeres mundanos que não o agradavam e que para ele nada serviam.
Mas por algum capricho caótico do destino, outro dia, houveram diversos eventos inusitados:
O porteiro que sempre estava fazendo algo mais importante do que falar com ele, o deu um caloroso bom dia, a moça que vende jornal na esquina perguntou se ele queria comprar um exemplar, sem falar que no caminho do trabalho, o taxista esperou ele atravessar a faixa de pedestre, mas o que mais o espantou, foi quando Ela, aquela loira da barraca de flores vizinha ao local que ele tomava café com leite e pãozinho de queijo nos últimos sete anos e que durante todo este tempo ele nutria um amor silencioso o fitou demoradamente, esboçando em sua face juvenil (sim, ela era um pouco mais jovem que ele) simpatia e interesse.
Como se não bastasse, ao chegar no escritório, viu que seu nome estava na placa de”funcionário do mês”, impossível, pois neste mês, trabalhou pouquíssimo e enrolou mais do que qualquer outro, sentando-se à mesa, viu uma carta comunicando a sua seleção para um concurso interno para um cargo mais elevado.
Estranhando tudo isto, e sem saber como reagir a estas mudanças, ele sem titubear, se atirou do 13º andar, caindo em cima da barraca de flores, se matando e matando a loira, que com as mãos trêmulas assinava uma carta para confessar o seu amor a ele,então mais nada havia…